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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Amamentar uma miúda de 3 anos? Isso não é normal!


Primeiro, não é nada normal que publique fotografias minhas a amamentar. A relação com o meu corpo nunca foi muito pacífica e, se nunca imaginei a amamentar uma criança (nem pensava que viesse a ser mãe), também não imaginaria que teria fotografias disso e que muito menos as publicasse na net (ou que tivesse um blog de maternidade...). 


O que me leva a fazê-lo são os comentários que muitas das mães que amamentam além dos 6 meses de leite materno em exclusivo tal como recomenda da Organização Mundial de Saúde (às vezes, esses comentários, vêm até muito antes - credo!) estão sujeitas a ouvir.

Vêm de pessoas certamente não mal intencionadas. Falam repetidamente, sem consciência do que dizem ou dos efeitos que tal comentário possa vir a ter. Também serei assim noutras áreas e ainda não sei disso.  Porém, uma das coisas em que têm razão é que "isto não é nada normal". 



Não é "normal" amamentar uma criança de 3 anos. Não, não é. Já foi. Actualmente ainda não voltou a ser. E a verdade é que da mesma maneira que ver mães a amamentar sem pudores na rua ainda choca muita gente (ou mesmo com pudores), quem amamenta há mais tempo também recebe comentários. 

Ela já fala e ainda mama? Mas já tem dentes? Isso já é sexual. Que horror. Comigo não vai ser assim. Que vício. 

Todas temos os nossos motivos para amamentar mais ou menos, para insistir mais ou menos, para querer mais ou menos, para gostar mais ou menos. Muitos desses motivos, muitas de nós, nunca saberemos realmente quais são. 


No meu caso, o que me levou a amamentar e a querer amamentar tanto (não a forço, ela gosta haha) é o querer que a Irene tenha mãe suficiente. Não quero dizer com isto que quem não amamenta não é mãe o suficiente. Será. Amamentação não é sinal de maternidade. Porém, para mim, simboliza isso. Para mim era importante e ainda é que a Irene perceba que parte do nosso amor começou e dura ainda assim. 

Não tenho pressa para o deixar de fazer e mal ela me cabe no colo. Não ofereço maminha, espero que ela me peça e temos os nossos dois momentos por dia. Quando não existem (porque já se esqueceu uma vez ou outra), fico com saudades e a vez seguinte sabe-me ainda melhor. 

É raro conseguir pegar a Irene ao colo. Este é o nosso colo. Há 3 anos. Com muitas lágrimas, muitas tristezas, muitas más fases, mas com muitas coisas boas também.

Neste momento, só boas.

De manhã, quando acorda - as duas na ronha até decidirmos acordar ou à noite, antes de adormecer - depois da história - para ir quentinha e calma. 


Não é normal, mas é natural. Ambas gostamos de momento. E planeamos continuar assim, com naturalidade. 

Publico estas fotos (porque estão muito giras e foi a Joana Hall quem as tirou) para que, apesar de não ser normal ver miúdos de 3 anos a serem amamentados, haja mais umas tantas pessoas (vocês :)) que agora viram e que assim nos possamos apoiar umas às outras, independentemente das nossas escolhas pessoais. 

É uma aprendizagem à qual me junto. 


Coisinhas giras: 

Fotografias - Joana Hall

Roupas - Little Jack Baby Clothes (óptimo para amamentar)

Colar do coração (apaixonada) e brincos - Our Sins 



Tudo o que já foi escrito sobre amamentação no blog aqui.

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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Amamentar *O Essencial* - Sessão de Esclarecimento Gratuita





É com muita felicidade e carinho que vos quero convidar a fazerem parte da sessão de esclarecimento - Amamentar *O Essencial*. Uma ideia que partiu do meu peito e do da Joana Paixão Brás (onde está o nosso coração e leite ;)) e que tem como objectivo simplificar a amamentação para todos os interessados.  Vai ser uma espécie de resumo Europa-América, aqueles que nos salvavam à última da hora antes de termos de fingir que lemos "Os Maias" (provavelmente a outra Joana deverá ter lido que falava muito de porcelanas - do que ouvi dizer). 

Deixo-vos aqui o resumo dos nossos objectivos e pormenores.  Juntem-se ao nosso evento aqui :). 

Inscrevam-se (é gratuito), enviando um e-mail com os vossos dados para amamentaroessecial@gmail.com

Um obrigada muito grande ao Grupo Renascença Multimédia, à Amamenta Lisboa e Setúbal da Rede Amamenta por tornarem tudo isto possível. Vamos fazer chegar a boa informação a mais gente e mudar a vida de muitas famílias, isto é... só... maravilhoso!! 

Programa:
Boas vindas – Joana Gama e Joana Paixão Brás (a Mãe é que sabe)
Dúvidas nos primeiros meses - Cristina Cardigo
Aleitamento e Babywearing - Mariana Serra
Intervalo
Aleitamento materno e o regresso ao trabalho - Maria Pires
Introdução da Alimentação Complementar - Marta Rodrigues
Desmame Gentil / Desmame Natural - Patrícia Paiva


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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Pela primeira vez em 3 anos, fui sair à noite com uma amiga.

Tento ao máximo abstrair-me de julgamentos alheios porque pecadora me confesso e, portanto, sei que as opiniões dos outros e respectivos julgamentos têm mais que ver com as suas próprias experiências de vida do que com a situação em concreto. Estas foram as minhas escolhas e tive os meus motivos para elas. Todas são válidas, desde que conscientes e bem-informadas (vá, aquele "todas" tem algumas aspas, sei lá!). E quando são conscientes e bem-informadas, geralmente são menos permeáveis a comentários de terceiros ou, pelo menos, discutidas de forma mais saudável. 

Desde que a Irene nasceu que tudo o resto deixou de ser tão relevante. Primeiro porque me senti num modo de sobrevivência ao mesmo tempo que tinha de garantir a sobrevivência - não é só isso que queria, queria a perfeição do desenvolvimento físico e psíquico - da minha filha. Tenho noção de toda a pressão que isto implica, senti-a e sinto-a na pele. Diariamente. Estou a aprender a lidar com a minha ansiedade ou a resolvê-la. 

A recomendação da pediatra de não sair durante os primeiros três meses foi levada demasiado a sério e o objectivo de ser bem sucedida na amamentação custou muita sanidade mental (aos três). A par disto, houve uma licença de maternidade de 5 meses, um mês de férias para fazer os 6, um mês a trabalhar (e de me ter apercebido que ninguém estava à espera que eu voltasse, não sei porquê e fiquei a "encher chouriços", sem grande coisa para fazer) e depois um ano de licença sem vencimento. Em casa. 

Em casa e a querer cumprir com tudo o que eu considerava ideal para a minha filha (menos para mim, mas eu não pedi para ela me ter como mãe, foi o contrário). Sendo perfeitamente britânica com horários de sono e outros critérios que, com o tempo, se foram atenuando e deixando de ser tão fundamentalistas. Tudo isto perfeitamente privada de sono por ter escolhido não a ter no nosso quarto no 2º dia de vida (já não me revejo nada nesse post que escrevi, nada!) e de ter feito piscinas umas 8 vezes por noite, às vezes 12, para não acordar o Frederico e para... para quê? ... Tinha, também, que passear com ela. Ela tem que sentir o ventinho na cara, sentir relva nas mãos, esfolar os joelhos, andar de baloiço, estar com outras crianças. Muitas obrigações (auto-impostas) para um dia apenas e para uma mãe cansada, mas com uma enorme vontade de passar todo o amor que tinha no seu coração com sono, cansado, com medo, inseguro. 

No ano seguinte, voltei a trabalhar. Um alívio. Uma maravilha. Ela ficou em casa com o pai. Muitas das minhas responsabilidades foram passadas para o pai. As maminhas puderam respirar durante o dia, mas continuava a sentir uma grande responsabilidade em ir passeá-la, dado que o pai era mais caseiro. Depois de uma noite inteira a amamentar, a fazer as tais piscinas (para quê?), ainda ia para casa pressionada (por mim) a passeá-la a fazê-la brincar na natureza, ver outras crianças e também "pressionada" sempre pelas horas para conseguir dar banho, jantar, amamentar e dormir. 

A Irene entrou para a escola o ano passado. Não gostei da escola e a Irene também não. Mudámos de escola. Agora, sim. Está numa escola em que brinca lá fora. Em que há amor em tudo, em todo o processo desde que ela entra na sala até que ela me vê à tarde. A parte de brincar "lá fora", como os miúdos têm necessidade, está cumprida na escola. Falta só a parte de brincar com a mãe que uns dias poderá ser lá fora e outros nem por isso. 

Já estou a trabalhar há dois anos, a amamentação, neste momento, está perfeitamente adequada às vontades de ambas (mama quando acorda e quando adormece) e, agora, já estamos todos prontos para eu começar a "voar". 

Foi o pai quem a adormeceu na sexta-feira passada (nunca a tinha adormecido à noite, fui sempre eu). Disse à Irene "o pai janta com amigos, a mãe janta com amigos, o pai volta, a mãe volta, sempre". Saí e tranquilamente tudo aconteceu. Jantou com o pai, ele adormeceu-a e eu fui jantar com a Susana. 

Jantámos, bebemos sangria (não sou de beber álcool mas achei que o momento o pedia), rimos, decidimos continuar a noite e fomos ao bowling (um dos meus sítios preferidos, depois conto). Jogamos, rimos, gritamos, dançámos e fui para casa. 

A Irene acordou e o dia recomeçou como se tivesse sido qualquer outro para ela. Menos para a mãe que estava um pouco mais completa e com um coração melhor para amar mais a filha. 

Este sábado há mais, bitches. :)


Fotografia: Love Project
Laço: Lemon Hair Lovers

Outras leituras que podem ser "giras" ou "os links para os quais se borrifaram há bocado, mas que são espetados aqui de novo". 

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terça-feira, 4 de abril de 2017

A qualquer hora, em qualquer lugar.

Sempre dei mama em qualquer lado. Quase. No local de trabalho, se íamos visitar o pai, não me sentiria bem a sacar da mama e a dar ali à frente do chefe, nem via grande necessidade ou urgência nisso. Mas quando digo "em qualquer lado" é basicamente não sentir que tenho de ir para o carro ou para uma casa de banho. Vou se quiser, não tenho de. Custou-me, numa ida a um hospital privado, que me tenham sugerido por duas vezes ir para um cantinho da amamentação, quando eu disse que preferia ficar ali na sala de espera normal, simplesmente porque tinha a minha filha mais velha ali e não a queria abandonar nem privá-la de estar a brincar com os bonecos. Da segunda vez que a mesma pessoa me veio sugerir ir para o cantinho da amamentação, senti que já não era para que eu me sentisse mais confortável, era porque ele não estava confortável OU não queria que os outros utentes ficassem desconfortáveis. Poderia ter ido se estivesse só com a bebé. Não tinha de. E é isso que eu defendo: a escolha. 

Já dei mama no carro porque naquele momento era o mais confortável para as duas (e assim não se distraía tanto), já dei mama com um paninho a cobrir parte da mama, tentei dar à Isabel com um avental e não corria bem porque a miúda suava em bica (nesta nem experimento), já fui de propósito para espaços e cantinhos de amamentação. Agora também vos digo: há cantinhos de amamentação/fraldários que não lembram ao diabo. Ou cheiram a cocó (e eu levo na boa com o cheiro a cocó das minhas filhas, mas dos outros dispenso), ou estão ao lado de uma zona de fumadores e aquilo está empestado, enfim... 

Depende do momento, mas regra geral, se a miúda tem fome ou sede o que seja, saco da mama, com discrição (como penso que qualquer mãe, pelo menos nunca vi nenhuma a puxar para cima o vestido para amamentar ou a andar a passear por aí sem camisa), sem pudores e sem grandes alarmismos. Quando sentirem que estão a fazer algo de errado ou a incomodar alguém - que estupidez sentir-se isto - pensem que até o Papa já falou pelo menos duas vezes sobre este assunto: amamentem "sem medo e com naturalidade, tal como a Virgem", referindo-se às mães dos bebés que estavam a ser baptizados.

Eu sou das que acha bonito ver um bebé a ser amamentado. Não têm de achar, claro. Mas todos temos de respeitar. Tenho fotografias a amamentar em museus, em parques, em restaurantes, em casa. Desta vez foi na festa da Isabel e da Irene. É onde calha, a qualquer hora, em qualquer lugar. Tão natural como a sua sede. 

Susana Cabaço Fotografia


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sexta-feira, 31 de março de 2017

Calem-se!!!

(uau um post que não é sobre a festa de aniversário) 

Adoro sentir que aprendi qualquer coisa e que, ao mesmo tempo, pratiquei o bem. Não sou daquelas pessoas que me sinta gratificada a doar coisas a instituições, apesar de já ter feito voluntariado numa casa de acolhimento de emergência (só para que não fiquem a pensar que sou um monstro - foram só dois dias, mas a fingir que foi durante anos). Sinto-me muito mais compelida a ajudar pessoas que tenham passado ou passem por situações pelas quais já tenha passado. É o clássico do "sentir-me mais identificada". 

Tenho sentido muita vontade de ajudar mães a todos os níveis (menos financeiro que isso, filhas, vá, não há capacidade para estes lados) e, ao mesmo tempo, tenho sentido que é benéfico se me acalmar um pouco. Facilmente as coisas que eu digo podem ser vistas como intrusivas ou podem ser a minha perspectiva das coisas e quando não se conhece a história de alguém por completo, as boas intenções podem surtir um mau efeito e isso está longe da minha vontade. 

O lovelab agora é The Love Project

Aprendi muito com a amamentação e essa foi uma das coisas. Comecei por julgar e muito as mães que não amamentaram porque não quiseram, as que que não conseguiram, porque supostamente "se eu consegui toda a gente consegue", as que não se informam, as que... "De repente", apercebi-me de que todas nós temos histórias que nos compõem e que isto da maternidade vai buscar tudo o que há de mais intenso em nós: amor, abandono, desespero, vontade, sonho, esperança, incapacidade, segurança... É impossível sermos perfeitas nesta natureza tão falível e cuja aprendizagem se faz esfolando-nos também. 

Aquela mulher não é a mulher que não amamenta. Aquela mulher tem um nome e tem história e o não amamentar foi o resultado de uma existência que não conheço e que não me compete julgar (apesar dos meus julgamentos também serem consequência de uma existência que vocês não conhecem). 

Não acredito que a palavra seja compreensão, mas talvez respeito. Respeito pela existência dos outros, pelos seus condicionalismos e pelas suas formas de verem o mundo. Tenho vindo a aprender. É um processo (que nunca terá fim, desconfio). 

Um casal amigo contou-me que estava a dar leite artificial. Sugeri uma conselheira de amamentação. Agora é com eles, não tenho nada que ver com isso. 

Uma rapariga no ginásio, grávida, disse-me "é amanhã". Dei o meu melhor para não dizer tudo o que senti e pensava, sugeri que falasse com o médico para perguntar se podia ficar mais tempo "no forno" se era essa a vontade da mãe (e, vim a saber que falou e vai ficar mais uma semaninha - gosto de pensar que tive algo que ver com isso). 

Muitas mães explicam de forma não correcta os problemas de amamentação que fizeram com que a experiência acabasse. Digo onde podem ir buscar mais informação num segundo filho e que podem falar comigo sempre que precisarem e saio de cena. 

Ok. Isto não é ficar calada, mas também não acho que devamos fingir que não vemos algo onde possamos fazer a diferença. Comparativamente com tudo o que me apraz dizer nessas alturas, eu sinto que é quase um silêncio absoluto o que me sai. 

É pensar que quando falo não é por mim, mas que é pelo outro. É "ajudar" e não interferir. Estou a aprender. 

Faço novamente aqui um pedido de desculpas a todas as mães (até amigas) que julguei alto e bom som, outras em silêncio e que fui demasiado intrusiva e desrespeitadora. Não havia más intenções, havia um descontrolo e falta de reconhecimento do outro. 


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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Amamentação: ultrapassei, com a 2a filha, o tempo da 1a!


Era um dos meus objectivos, assim que engravidei da segunda filha: ultrapassar o tempo em que amamentei a primeira: 9 meses. A Isabel fez um falso desmame que eu não consegui reverter, mesmo depois de muita ajuda (de que já falei em vários posts, procurem aqui).

Dou maminha muitas vezes durante o dia - não sei quantas, que não conto (e também durante a noite, coisa a que fui praticamente poupada nos 6 primeiros meses), mas até agora, não tem sido penoso, muito pelo contrário. A única coisa de que me vou queixando neste momento é de fazer piscinas, à noite, entre filhas - a Isabel só quer a mãe no quarto dela à noite e a Luísa nem sempre acalma só com o colo do pai -, mas como ando numa fase boa e optimista, nem isso me tem tirado o sono (ah ah ah). Hoje estávamos sem o pai e dormimos as três na mesma cama e foi maravilhoso [a Isabel aceitou o meu convite e veio dormir no meu quarto].

Fiz muita coisa diferente agora nesta segunda volta, aproveito tudo muito melhor, e estou a adorar amamentar. Tinha muitas saudades. Não sei quanto tempo teremos pela frente, não estabeleço grandes metas, mas gostava que fosse tudo muito natural e sem grandes stresses. Espero que cheguemos longe, mas sinceramente não queria chegar ao ponto de estar muito cansada e de não me apetecer mais. Era óptimo se estivéssemos sempre em sintonia e que este namoro acabasse quando ambas quiséssemos. Veremos. 


adoro a fotografia, mas o papel ali a descolar faz-me tremelicar de um olho ;)

depois disto, claro que me puxou o nariz, o lábio superior e fez-me 2 mil arranhões na cara. mas as festinhas no peito compensam.
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

E se não mamares de noite, Necas?

Ui. A viagem da Necas e minha por isto da amamentação dá pano para mangas. Já perdi conta aos inúmeros posts informativos e desabafativos sobre o tema. Podem ver uns quantos se carregarem aqui

Depois de muita tormenta, de uma suspeita de APLV e tudo, a amamentação finalmente tornou-se pacífica. Aos poucos, mesmo contra tudo aquilo que eu sentia nas fases em que ela precisava mais de mama, tem vindo a largar mamadas. 

Agora, a um mês de fazer 3 anos, durante a semana, mama de manhã quando acorda, à noite antes de adormecer e durante a noite, quando acorda. 

Não odeio dar de mamar, antes pelo contrário. Além do prazer que muitas mães que amamentam apontam (e das óbvias hormonas envolvidas que nos fazem sentir felizes), é também símbolo de uma batalha que a Irene eu travamos juntas e que vencemos. É sinal de que fomos capazes e que fizemos bem em continuar porque está tudo bem e tudo correu bem. 

Porém, confesso que as mamadas nocturnas me estão a deixar louca. Acorda e chama por mim. Eu, cansada, não me apetece que ela fique a mamar a eternidade que fica. Nunca consigo chegar a adormecer porque acabamos mesmo por ter alguém a mamar em nós. E irrita-me não ter controlo sobre isso nem opção. Se lhe nego a mama é um berreiro danado às 5h da manhã e ficamos as duas enervadas por algo que, lets be honest, tem muuuito mais de bom do que mau. 

Quando a Irene era mais nova, aconselharam-me o desmame nocturno para ela dormir melhor. Não é causa-efeito. Por favor, não vão nisto. Não desmamei e não me arrependo. Pensei sempre: se um dia quiser desmamar, que fosse através do diálogo e que ambas estivéssemos prontas para isso. Não teria sido justo introduzir-lhe este método (embora natural) de alimentação e de regulação e depois tirar à bruta só porque alguém me disse ou porque estava demasiado cansada. Eu não conseguiria lidar com a culpa. Ou, mesmo que conseguisse, não quero. 

Cá estamos aos três anos. Depois de uma noite em que dei por mim a ser má para a Irene a meio da noite por ela não aceitar não mamar para readormecer ("Ó IRENE, NÃO PERCEBES QUE EU ESTOU CANSADA, PÁ!"), no dia seguinte percebi que é tudo um processo, que devia tentar explicar o que se passa e negociar ou tentar perceber o que se passa aqui.

Ontem, quando estávamos a tomar banho juntas, surgiu-me o tema (em vez de lhe propor isso quando ela estivesse mais cansada e menos flexível): "Necas, filha, adoro dar-te maminha de manhã, sabias? É como se estivéssemos a matar saudades. À noite, antes de ires dormir, também gosto muito. É como se fosse um abraço com muita força. Durante a noite já não gosto, sabes porquê? Porque estou muito cansada, as minhas mamas já estão um bocadinho velhinhas e a mãe fica sem paciência. O que achas de, em vez de te dar maminha, nessas alturas, me abraçar a ti com muita força e dar muitos beijinhos até adormeceres ou de te abanar o rabo, pode ser?". 

Ela disse que sim. Não estava à espera que resultasse na primeira noite. Resultou a 75%. Aceitou em dois acordares outra alternativa. Às 5 da manhã estava irredutível e claro que cedi. Tenho de compreender. 

Vamos continuando nesta viagem, que não tenho pressa que acabe. Simplesmente, tal como a Constança Cordeiro Ferreira escreveu no livro, há  uma mamada que me incomoda (ou várias, as nocturnas) e é isso que quero "resolver", mas tendo sempre em conta o que a minha filha precisa (e eu também). 


Nota final: 

Atenção a isto dos desmames nocturnos. A Irene tem 3 anos e a amamentação já está estabelecida, além de que posso dialogar com ela e não será um momento traumático, digo eu, este afastamento, nem o irei fazer de forma bruta. É a à noite que há maior produção de prolactina, a hormona responsável pela produção do leite e, por isso, é quando o nosso corpo recebe mais a indicação da quantidade de leite que o nosso bebé precisa. Amamentar durante a noite é crucial para uma boa experiência de amamentação. Por favor falem com pessoas entendidas no assunto aqui ou aqui ou aqui, por exemplo.